Padre Luciano Batista, nosso Vigário Paroquial, nos fala sobre a Quaresma.

Padre Luciano Batista, nosso Vigário Paroquial, nos fala sobre a Quaresma.

Por : Padre Luciano Batista, ms

RASGAI O VOSSO CORAÇÃO E NÃO AS VOSSAS VESTES (Jl 2, 13)


O tempo da Quaresma é o período do ano litúrgico no qual os cristãos se preparam para a grande festa da Páscoa. Quaresma é a
designação de quarenta dias. O número quarenta é bastante significativo dentro das Sagradas Escrituras. O dilúvio teve a duração de quarenta dias e quarenta noites e foi a preparação para uma nova humanidade.

Durante quarenta anos o povo hebreu caminhou pelo deserto rumo à terra prometida. Antes de receber o perdão de Deus, os habitantes da cidade de Nínive fizeram penitência por quarenta dias. O profeta Elias caminhou quarenta dias e quarenta noites para chegar à montanha de Deus. Preparando-se para cumprir sua missão entre os homens, Jesus jejuou durante quarenta dias e quarenta noites. Moisés fez o mesmo.

A palavra Quaresma vem do Latim “quadragésima” e é o período de 40 dias que começa na Quarta-feira de Cinzas e encerra nos dias que antecede à Páscoa. Para os cristãos, representa um momento de reavaliação de sua conduta, recordando os 40 dias que Jesus jejuou no deserto. Neste tempo forte da graça de Deus somos convidados à conversão, ao arrependimento de nossos pecados e à mudança pessoal e comunitária. Ao longo deste tempo, sobretudo na liturgia do domingo, fazemos um esforço para recuperar o ritmo e estilo de verdadeiros fiéis. Devemos viver como filhos de Deus.

A cor litúrgica deste tempo é o roxo, que nos recorda a penitência. É o tempo de revisão da vida pessoal, mas, também traz um convite à reflexão da vida em comunidade, para que mudando aquilo que impede uma vida comprometida, possamos nos preparar para celebrar dignamente o mistério pascal. É durante a celebração da Quaresma que Jesus nos faz seu apelo para o compromisso com sua Palavra e para com o próximo, nosso irmão. Somos convidados a praticar os valores e atitudes cristãs que nos ajuda a parecer mais com Cristo, já que por ação do pecado, nos afastamos de Deus. Sendo assim, a Quaresma torna-se um tempo de Reconciliação, onde devemos retirar dos nossos corações o ódio, a raiva, a mágoa e tudo que impede o nosso amor a Deus e aos irmãos. Neste tempo podemos aprender a conhecer e a apreciar a Cruz de Cristo. Com isto aprendemos também a carregar nossas dificuldades e fraquezas, para celebrar a Ressurreição do Senhor.

Durante esses quarenta dias, que tem como fundamento Bíblico, além dos já citados, mas sobretudo os quarenta dias que Jesus passou no deserto antes de começar sua vida pública, a Igreja nos propõe a Campanha da Fraternidade, nos ajudando assim a sermos solidários e comprometidos com uma causa social. Neste ano a proposta da Igreja é refletir o tema “Fraternidade: biomas brasileiros e defesa da vida” e o lema “Cultivar e guardar a criação” (Gn 02, 15). Como a Quaresma é um momento
oportuno de conversão, refletir um tema social é justamente uma ocasião de nos educar para a vida fraterna, com base na justiça e no amor, que são as exigências central de Jesus no evangelho.

Outros apelos também são feitos neste tempo para nós sermos mais sensíveis à conversão. Temos os exercícios quaresmais como o jejum, a moderação e, sobretudo, a oração de forma intensa e comprometida com a realidade em que vivemos. O jejum pode ser uma coisa boa e Deus se agrada quando nos arrependemos de hábitos pecaminosos.
No entanto, arrepender-se do pecado é algo que devemos fazer todos os dias do ano. Embora é necessário lembrar que todos os exercícios espirituais da quaresma, deve ser realizado com humildade e de coração sincero, jamais a quaresma deve ser momento de se gabar de sacrifícios ou tentar ganhar favores de Deus.

É indispensável que recuperemos também a Quaresma como tempo ideal de fazer a preparação final dos catecúmenos, que serão batizados na Vigília Pascal. Portanto, concluímos que a Quaresma é um “sinal de Salvação, tempo de purificação”, pois, nesse período, a vida pessoal e comunitária é renovada por todos os meios eficazes que a Igreja disponibiliza.
Como Jesus no deserto, que também nós passamos a vencer as tentações atuais do ter, poder e prazer.

Padre Luciano Batista, ms

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