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Informativo Janeiro 2007

Em La Salette

“Estamos chegando ao local da aparição de Nossa Senhora. Vamos, com muita devoção, coração contrito, com cânticos, nos preparar para esse grande momento.” Foi assim que Pe.Ildefonso convidou o grupo a um momento de oração. Rezando, cantando louvores à Mãe, fomos subindo a montanha. Como que se abrindo o céu, contemplamos a grande beleza: naquele vão, entre os montes, surgiu o Santuário de Notre Dame de La Salette. Grande emoção tomou conta de mim que, com a graça de Deus, tive essa visão pela primeira vez. Mas, com certeza, a emoção tomou conta de todos. Já estava escurecendo, passava das 20h... Sentir, pisar o solo onde há 160 anos esteve a Mãe... não dá para descrever. Nas lágrimas que rolaram, com certeza, estava uma grande ação de graças ao Senhor que nos proporcionou esta bênção: a condição de estarmos, com saúde, fazendo parte deste momento.

A grande montanha à minha frente! Tão perto e tão real! O Santuário... Compensou o cansaço da viagem. Muito obrigada, meu Deus! Obrigada, Mãe da Salette! No dia seguinte visitamos o local da aparição. Antes pensava comigo: “vou falar muitas coisas para minha Mãe; as que falo todos os dias e muito mais. Talvez ela esteja cansada de ouvir, mas vou repetir. Quem sabe, aqui no local da aparição, ela vai me ouvir (incrédula, eu)”. Pisar o solo onde Maria pisou... não dá para explicar. Fiquei emocionada e não consegui falar nada. Nem a Ave-Maria saía. Foram momentos de profundo silêncio, onde só pude olhar para a Mãe chorando. E eu, pisando a mesma terra... Olhei para as imagens de Maximino e Melânia... e só aí pude voltar ao tempo. Coloquei-me no lugar da Melânia e toda a mensagem da Salette passou pelo meu coração:“vinde, meus filhos, não tenhais medo”. Parece-me que fiquei ali muito tempo nesta intimidade com a mãe. Disselhe que nas minhas lágrimas colocava tudo o que Ela já conhecia muito bem. E rezei... e mais uma vez, depositei tudo no avental Dela, murmurando: “tudo é teu, minha Mãe. Interceda junto a teu Filho Jesus! Interceda por tua comunidade em S.Paulo, que ficou tão conhecida com o trabalho dedicado dos missionários saletinos, em particular de Dom Pedro, hoje fisicamente tão doente. Tudo está em tuas mãos.”

E saí, imaginando como estariam os dois pastores, naquele local, no ano de 1846. A caminhada de Maria subindo o monte, antes de ir para o céu. A ansiedade das crianças, Parece-me vê-los contando às pessoas do pequeno povoado, tudo o que haviam acabado de ver. Ali pertinho, as estações da Via- Sacra, e no topo, a imagem de Maria se elevando ao céu. Pareceume ouvi-la dizer:“Ide, meus filhos, pregai tudo aquilo que meu Filho, crucificado por vós, ensinou”.

A procissão com as velas, o caminhar das luzes. Uma maravilha! O vento não deixava as velas acesas, mas o coração estava. Uma bênção! Uma mistura de pessoas de diferentes línguas. Chegamos ao local onde a imagem de Nossa Senhora, com a cabeça voltada para o Oeste (Roma), dizendo:“Ide, levai a Boa Nova a todo o meu povo”.querendo descer logo e espalhar a boa notícia a todos." Cantamos louvores a Deus e a Maria. Um grupo de poloneses cantava, em sua língua, o canto “A Barca”. E nós acompanhamos em nossa língua. Foi emocionante! Alguns chegaram às lágrimas.

Celebramos, agradecidos a Deus, na Missa na Basílica, somente com o grupo. Logo após, um passeio pela Basílica, fomos conhecendo os detalhes. Emocionada, vi o local onde está depositado o coração de Maximino. Foi colocado ali, a seu pedido, antes de morrer aos 40 anos de idade. O corpo está enterrado em Corps. Após o almoço vimos um vídeo sobre La Salette. À noite, após o jantar, eu e Neclair, nos dirigimos ao local da aparição. Diante da imagem da Mãe que chora, rezamos o terço, agradecendo a viagem e a nossa presença naquele lugar santo. Oferecemos cada mistério à Mãe, pedindo a sua intercessão por tantas necessidades que Ela conhece muito bem. O silêncio da noite, a espiritualidade do lugar foram propícios para tocarem nossos corações e desfilarem em nossas mentes os pedidos dos amigos tão queridos que fazem parte das nossas vidas na comunidade e na família.

Na última manhã na montanha nos dirigimos à fonte da aparição. Nos momentos finais, antes da partida, agradeci e pedi pelos meus, pelos nossos. Fotos... a entrada noônibus... a partida. O Santuário foi ficando para trás. O solo santo se distanciando aos poucos. À tristeza de estar deixando aquele local abençoado juntou-se a alegria e ação graças por ter pisado aquele solo. Obrigada, Mãe da Salette! Faça-nos mensageiros fiéis de Teu filho. Dai a graça tantos saletinos de conhecer aquele lugar que renova no coração o ardente desejo de continuar a servir Jesus! Amém.

S.Paulo, julho de 2006
Maria de Lourdes P. Falconi

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