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Informativo Janeiro 2007

Informativo entrevista...

O entrevistado do mês é o senhor Antonio Grandi, paroquiano desde 1950, natural da aprazível cidade de Lençóis Paulista, interior do Estado de São Paulo.

Inf.: Se desde 1950 na comunidade, o senhor tem muita coisa para nos contar...
A. Grandi: Com certeza. Fui Congregado Mariano durante muito tempo. E nós tínhamos um grupo de Teatro e de Cinema. Ali onde fica a Casa Paroquial, tinha um amplo salão e nós ensaiávamos e representávamos ali. Era um grupo forte: o Sergio Bernardi, seu irmão Toninho, o Quim, o Noel, o Zé Melo e outros tantos. Infelizmente, todos falecidos. Eu sou o único que está vivo daquele grupo.

Inf.: Quem era o Pároco naquela época?
A. Grandi: Era o Pe. Nicolau. Além de Pároco ele comandava a Cruzada Eucarística. E era quem passava os filmes nas matinês de domingo à tarde. Na Missa da manhã ele distribuía um cartãozinho para as crianças que vinham à Missa e só entrava no cinema as crianças que tinham esse cartãozinho.

Inf.: E esse grupo de Teatro e Cinema, evoluiu?
A. Grandi: Claro que sim. Nós apresentávamos uma peça por mês, no Salão. Um mês era uma comédia, noutro mês era um drama. Algumas vezes fomos convidados a apresentar essas peças na antiga TV Paulista (das Organizações Vitor Costa), e que hoje é a TV Globo. Era um programa de sábado à noite, no qual grupos amadores de Teatro faziam suas encenações. Uma das peças que apresentamos, me lembro bem, foi uma comédia chamada “O Castelo Assombrado”. Foi um sucesso. Meu irmão, o Geraldo Grandi era o diretor. Muitos dos companheiros desse grupo, principalmente da área técnica (iluminador, técnico de som, ajudante de palco) foram contratados pela TV Record.

Inf.: E no Cinema?
A. Grandi: Muitos desses companheiros foram “extras” em vários filmes feitos pela antiga Vera Cruz. Tem um filme... de 1954... “O Comprador de Fazendas”, estrelado pelo grande Procópio Ferreira. Nesse filme tem uma cena filmada na frente da Igreja, aqui na Salette. É a cena de uma festa de casamento. A cena do casamento em si não foi feita aqui na Igreja. Na época o Padre (não me lembro quem) não permitiu.

Inf.: Voltemos a falar do senhor. Quando e onde o senhor se casou?
A. Grandi: Casei-me aqui na Salette, no ano de 1954. O celebrante foi o Pe. Napoleão.

Inf.: O senhor acompanhou a construção da Igreja. O que o senhor pode nos dizer?
A. Grandi: Se você perceber, aqui onde estamos (Salão Paroquial) era para ser o altar da Igreja. Ela seria construída em estilo gótico. Posteriormente, houve mudanças de plano e a arquitetura foi modificada. Aquilo que já havia sido construído foi mantido e uma nova planta foi implementada. Então, essa parte da frente, é da nova planta. Nossa... a obra de desaterro que foi feita. Quanta terra saiu. Muita quermesse foi feita para angariar fundos para a construção. Quantos colaboradores... quanta gente caridosa que doava muito dinheiro. Lembro-me do Sr. Alfredo Inácio Trindade, que foi presidente do Corinthians e conselheiro aqui da paróquia. Conseguiu muita coisa para a igreja. O campo de bocha, ali onde está o Centro Social. Ele vinha muitas vezes jogar com a turma. E como bom corintiano, não gostava de perder. Jogava, segurando o grande charuto. Após cada jogada dava uma grande baforada.

Inf.: E sobre suas viagens internacionais? O senhor esteve recentemente no Chile e já foi diversas vezes para Havana, a capital cubana. O que o senhor pode nos contar?
A. Grandi: Primeiro sobre Havana. Viajei para lá, a primeira vez, em 1992, acompanhado pelos meus filhos Antonio Carlos e Paulo Sérgio. Os dois sofrem de retinose pigmentar e lá em Havana existem clínicas médicas especializadas nesse tipo de doença. Antes de partir para a terceira viagem a Havana, eu conversei com o Pe. Pedro, na época era o pároco daqui, se poderia levar uma pequena imagem de Nossa Senhora da Salette para ser entregue ao pároco de uma paróquia próxima à clínica onde ficávamos hospedados e em tratamento. Pe. Pedro gostou da idéia e me deu uma imagem de Nossa Senhora, dela em pé com os dois pastorzinhos. Lá chegando, o pároco local não aceitou a imagem, alegando que sua paróquia já tinha muitas imagens... mas me indicou uma senhora, ali perto, que restaurava imagens santas. Fui conversar com ela. Nessa conversa ela me indicou a Paróquia do Sagrado Coração de Jesus, cujo pároco era o Pe. José Baldrix Camiño. Fui conversar com ele, levando a imagem e os folhetos que continham informações sobre a aparição e a mensagem de Nossa Senhora da Salette, além dos santinhos contendo o Lembrai-vos!

Inf.: E ele aceitou a imagem?
A. Grandi: Olha... ele ficou uns bons minutos olhando a imagem, sem dizer uma palavra. Depois pegou a imagem e todo o material que eu havia levado. Colocou-a no altar, próxima a outra imagem de Nossa Senhora. Dias depois, eu ainda estava hospedado na clínica, ele me contatou e perguntou se nós não poderíamos fazer uma entronização de uma imagem maior, dela chorando, lá na sua paróquia. Isso não dependia só de mim e fiquei de retornar-lhe o assunto. Na minha volta ao Brasil, conversei com Pe. Pedro, que de imediato comprou a idéia. Pouco tempo depois, reuniu um grupo de doze pessoas e lá fomos nós, fazer a entronização da imagem de Nossa Senhora da Salette, na Paróquia do Sagrado Coração de Jesus, em Havana.

Inf.: Isso rendeu dividendos...
A. Grandi: E como... Pe. José conhecia um artesão local e encomendou-lhe uma imagem de Nossa Senhora da Salette, em pé, feita de cimento, com quatro metros de altura. Essa imagem foi instalada na praça, atrás da Igreja do Sagrado Coração de Jesus. A construção e instalação dessa imagem durou cerca de dois anos. Pe. Jose nos convidou para que estivéssemos lá na inauguração. Viajamos novamente para lá, um pequeno grupo de paroquianos. Durante a celebração pe. Pedro abençoou a imagem na praça. Quando estive agora no Chile, assistindo um noticiário, que falava sobre a doença que acometeu o presidente Fidel Castro, a TV chilena mostrou uma chamada de Havana, e se pode ver, brevemente, a imagem de Nossa Senhora, lá na pracinha, e uma multidão de pessoas rezando pela saúde do Fidel. Pe. José conseguiu, após muitos anos, restaura a sua paróquia. E isso depois da entronização da imagem de Nossa Senhora da Salette. Até hoje, ele atribui o sucesso da restauração da igreja a Nossa Senhora da Salette. Pena que logo depois ele foi transferido para outra paróquia.

Inf.: Já que o senhor falou do Fidel... o que o povo cubano acha dele?
A. Grandi: O povo cubano, o povo simples, o povo trabalhador, esse povo gosta muito do presidente Fidel Castro.

Inf.: Certa vez o senhor me disse que foi padrinho de Batismo de uma criança lá em Havana. Como foi isso?
A. Grandi: Quando Pe. Jose saiu da paróquia do Sagrado Coração de Jesus ele deixou aquela imagem pequena, a primeira imagem que eu levei para lá, com uma família da comunidade, já que o novo pároco havia retirado essa imagem de onde ela estava. Essa família agradecida, convidou a mim e a D. Tonica, quando de uma nova viagem a Havana, para que fôssemos padrinho e madrinha de sua filhinha, a pequena Maria da Salette. Essa família, todo dia 19 de cada mês, reza o terço, com um punhado de vizinhos. Isso são coisas de Nossa Senhora.

Inf.: E por falar em coisas, tem uma coisa que o senhor já me contou, mas acredito que precisamos revelar para a comunidade. É sobre a cruz que acompanha as procissões de entrada durante das celebrações. Conte pra nós isso tudo...
A. Grandi: Essa cruz foi feita por mim, a pedido do pe. Pedro, anos atrás. Antes era utilizada uma cruz pesada. Eu fiz a cruz, leve, com a turquesa e o martelo e a imagem de Cristo, tudo em madeira. A imagem de Cristo eu tinha lá comigo e coloquei na cruz. Acontece, que essa cruz, por ser muito leve, caía à toa. Cada vez que caía, quebrava a imagem de Cristo. De tanto ser remendada, essa imagem não dava mais para ser colocada na cruz. Então a cruz ficou sem a imagem de Cristo durante algum tempo. Um belo dia, o Pe. Pedro me agradeceu pela imagem nova que estava colocada na cruz. Eu, surpreso, disse-lhe: mas Padre, não fui eu que coloquei a imagem. Eu pensava que o senhor tinha colocado ou pedido para alguém colocá-la. Ele , também surpreso, disse-me que não, não havia feito nada. Até hoje nós não sabemos quem colocou essa imagem de Cristo na cruz. Se alguém souber, nos avise

Inf.: Obrigado “Seu” Antonio. Que Deus nosso Pai o conserve sempre com saúde.
A. Grandi: Amém.

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