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Informativo Janeiro 2007

Comentários à Carta Encíclica "Deus Caritas Est" - IV

Justiça e caridade - Aqui o Papa Bento XVI aborda as objeções que se levantam contra a atividade caritativa da Igreja, desde o séc.XIX, principalmente pelo pensamento marxista, onde se diz que os pobres não precisam de caridade, mas sim de justiça e que a caridade (esmola) seria para os ricos uma forma de tranqüilizar a consciência, espoliando os pobres em seus direitos e que seria necessário criar uma ordem justa, onde cada um receberia sua parte de bens e assim já não teriam necessidade de obras de caridade. Mas esse principio sempre foi defendido pela doutrina social da Igreja. Acontece que com a formação da sociedade no séc. XIX, houve uma mudança radical na composição da sociedade, colocando o poder nas mãos de poucos (produção e capital), privando as massas operárias dos seus direitos.

A Igreja demorou em perceber esse novo problema na justa estrutura da sociedade. Surgiram círculos, associações, federações e novas congregações que foram à luta contra a pobreza, as doenças e carências no setor educativo. O magistério pontifício entra em ação com a encíclica Rerum Novarum, de Leão XIII em 1891; depois a Quadragésimo Anno, do Papa Pio XI em 1931; a Mater Et Magistra, de João XXIII em 1961 e outras de Paulo VI, João Paulo II, que trataram do problema social e foramorganizadas em 2004 no Compêndio da doutrina social da Igreja. O sonho da doutrina marxista acabou e hoje prevalece à doutrina social da Igreja com orientações que vão além das fronteiras eclesiais.

Duas situações são fundamentais para definir a relação entre a justiça e o serviço da caridade: 1) A justa ordem da sociedade e do Estado é dever central da política. A estrutura fundamental do cristianismo é a distinção entre Estado e Igreja, conforme diz o Concílio Vaticano II. O Estado não pode impor a religião, mas deve garantir a sua liberdade. Por sua vez a Igreja tem a sua independência e vive a sua forma comunitária, que o estado deve respeitar. Fé e política se tocam. A Igreja não pode, nem deve, ficar omissa na luta pela justiça; deve entrar nela com argumentos racionais e despertar as forças espirituais para que a justiça possa afirmar-se e prosperar; e 2) O amorcaritas, sempre será necessário, mesmo na sociedade mais justa, nunca será supérfluo, como pregava a doutrina marxista. O dever da Igreja é contribuir para a purificação da razão e o despertar das forças morais para a construção de uma sociedade justa, contando com a colaboração do trabalho dos fiéis leigos.

Nelson e Cidinha Velloso
Casal Piloto da Catequese Familiar

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