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Informativo Dezembro 2006

Comentários à Carta Encíclica "Deus Caritas Est" - III

A caridade da Igreja como Manifestação do amor trinitário.

Se vês a caridade, vês a trindade, escrevia Santo Agostinho. O Espírito é aquela força interior que transforma o coração da comunidade eclesial para ser testemunha do amor do Pai e que quer fazer da humanidade uma única família, em seu Filho, completa o Papa Bento XVI e continua: é amor o serviço que a Igreja exerce para acorrer constantemente aos sofrimentos e às necessidades, mesmo materiais, dos seres humanos. Esse é o tema da segunda parte da encíclica.

A caridade como dever da Igreja.

O amor ao próximo é, antes de tudo, um dever de cada um dos fiéis e também da comunidade eclesial inteira, em todos os seus níveis. A Igreja deve praticar o amor comunitário e para isso precisa de organização. No inicio da Igreja, todos viviam unidos e possuíam tudo em comum (At 2, 44-45). Participavam do ensino dos apóstolos, da comunhão, das orações (At, 2, 42). Com o crescimento da Igreja, tal forma não pode ser mantida, mas permaneceu o núcleo, segundo o qual, no seio da comunidade, não deve haver pobreza, nem sejam negados a alguém os meios necessários para uma vida condigna (20). Os apóstolos decidiram, então, criar uma nova missão (diaconia), composta por homens cheios do Espírito Santo e de sabedoria (At 6, 1-6) para cumprir o serviço social e o serviço espiritual e realizar o dever essencial da Igreja: a prestação do amor bem ordenado ao próximo. Com o passar dos anos, a prática da caridade, juntamente com a administração do sacramento (serviço) e o anúncio da palavra (Evangelho) firmou-se como essencial no âmbito da Igreja. Após essas considerações, Bento XVI cita como exemplos o mártir Justino; o escritor cristão Tertuliano; Inácio de Antioquia e alguns diaconias do Egito (séc.IV). Nápoles (séc.VII) e Roma (sécs.VII e VIII); diácono Lourenço e o imperador Juliano, o Apóstata. Encerrando este bloco, o Papa registra dois aspectos fundamentais das reflexões feitas: A) o anúncio da palavra(kerygma-martyria), a celebração dos sacramentos (leyturgia) e o serviço da caridade (diakonia), são deveres que não podem ser separados; B) a Igreja é a família de Deus no mundo e nela ninguém deve sofrer por falta do necessário. “Portanto, enquanto temos tempo, pratiquemos o bem para com todos, mas principalmente para com os irmãos na fé”. (Gl 6, 10)

Nelson e Cidinha Velloso
Casal Piloto da Catequese Familiar

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