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Informativo Setembro 2006

Voto: Custo x Conseqüências

A mídia tem divulgado uma propaganda em que diz que no próximo dia 1º de outubro estaremos elegendo um presidente, 27 governadores, 27 senadores e centenas de deputados federais e estaduais. Tudo isso a um custo muito alto. É o seu, o meu, o nosso dinheiro que estará sendo utilizado. Portanto, voto tem custo, sim. E alto, muito alto.

Todavia, as conseqüências são muito maiores. Os representantes desses cargos eletivos cujos mandatos estão por findar são prova cabal das conseqüências por nós sofridas. O país cresceu a índices vergonhosos; o atendimento à saúde é pecaminoso; a segurança... que segurança? Educação, bem, estudos recentes mostram que as crianças que freqüentam as escolas públicas, ao terminarem a oitava série, têm o conhecimento com nível da quarta série. A imprensa internacional nos vê como um povo corrupto, sem vergonha.

Essa magistratura federal – senadores e deputados – é talvez a mais insignificante de toda a nossa História. Foram CPIs que muito apuraram, e pouco se puniu. Os crimes apontados, provados, estão aí, ainda sendo noticiados pela grande imprensa. Foram desvios de dinheiro público, caixa dois, compra de artigos superfaturados, remessa de dinheiro ao exterior de forma ilegal, concorrências públicas contaminadas (quando da publicação do edital já se sabe qual empresa vai ganhar). As promessas de campanha de quatro anos atrás foram esquecidas, ou melhor, foram jogadas na lata do lixo.

Portanto, paroquiano amigo, fique atento ao seu voto. Não o desperdice mais uma vez. Negue-se a votar em alguém pelo simples fato de ser seu amigo, parente ou vizinho. Escolha com cuidado, verifique seu passado, verifiquesuas intenções, sua propos ta. Escolha candidatos que preencham uma pautamínima de qualidades, por exemplo: 1) que estejam comprometidos com o fim do banditismo institucionalizado; 2) com o fim do voto secreto no Congresso e nas Assembléias Legislativas; 3) com o fim de contratação de parentes até o terceiro grau; 4) com o fim do cinismo descarado; 5) que promovam uma verdadeira reforma político-administrativa, profunda e séria; e 5) para que nossas leis agravem os crimes cometidos por representantes do povo, em todas as esferas.

Difícil? Claro que é. Mas não é impossível. Não vote “em branco” ou anule o seu voto. Escolha seus candidatos como se você fosse escolher alguém de confiança para cuidar de seus filhos, para cuidar de seu patrimônio, por menor que seja. Escolha seus candidatos como se fosse escolher o síndico de seu prédio: é ele que vai administrar seu espaço, seu patrimônio, seu comportamento. E você sabe como cobrar seu síndico. Da mesma forma, cobre seus representantes. Guarde bem o nome deles, acompanhe seus mandatos, veja o que eles estão fazendo. E se daqui a quatro anos você constatar que eles nada fizeram, anule-os de sua mente. Escolha outros. Essa depuração leva tempo. Mas, a meu ver, é a forma mais adequada de escolha de nossos representantes nas esferas públicas. Pense nisso e vote!

Mario Apone - Leigo Saletino

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