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Informativo Abril 2006

VOCAÇÃO RELIGIOSA

VIDA EM DOAÇÃO

“O Reino dos Céus é semelhante a um tesouro escondido no campo. Uma pessoa o acha e torna a
esconder e, na alegria, vai e vende tudo o que possui e compra aquele campo (Mt 13,44)”.

A vocação à Vida Religiosa, como as outras vocações,é um chamado de Deus para homens e mulheres de todos os tempos, culturas, raças e nações. São cristãos que amam muito de Deus e querem ter uma amizade profunda com Jesus Cristo. Esta amizade é tão grande que os Religiosos e Religiosas buscam viver de forma existencial a vida de Jesus, anunciada nos Evangelhos.

Os Religiosos acreditam firmemente que o Evangelho é a melhor solução para os problemas do mundo. E dizem, mais pela vivência que pela palavra, que é possível viver o Evangelho em sua plenitude. Expressam em suas vida que não basta conhecer o Evangelho, mas o vivem na prática, de forma radical, intensa e generosamente.

Por isso os Religiosos vivem a dimensão da Oração com muito fervor, em uma profunda intimidade com Deus. Vivida diariamente, sobretudo na Eucaristia, a oração é o alimento que os mantém sintonizados com Deus e com a realidade do seu tempo. Eles também buscam viver em família, em comunidade. Pessoas de diversas culturas, com temperamento diferente, idades distintas, sem que ninguém se escolhesse e passam a viver como irmãos. Só isso já é um sinal do Reino!

Além disso, é muito importante para a vida Religiosa o aspecto da Missão. Dependendo de cada Congregação o trabalho pede mudar, mas o objetivo sempre é o mesmo: servir o Senhor nos mais pobres. Por isso os Religiosos se dedicam a cuidar: das crianças pobres, dos jovens, dos doentes, dos velhinhos, dos desamparados, etc. Também, dedicam-se, conforme o dom de cada um, ao anúncio do Evangelho, à luta pelos direitos humanos e pela justiça, ao serviço da liturgia, da catequese, da educação, da animação missionária, na construção da Paz, etc.

Como sinal da consagração os Religiosos e Religiosas professam publicamente os votos religiosos: pobreza, obediência e castidade. Jesus era pobre. Não tinha onde reclinar a cabeça e possuía menos que as raposas (Mt 8,20); na cruz, sua única propriedade era uma túnica e que foi sorteada pelos soldados. O voto de pobreza é o compromisso de partilha em todos os níveis: intelectual,profissional, de bens... é a intenção de empregar todos os recursos na construção do Reino de Deus. É o grito profético de denúncia do poder do dinheiro e da riqueza.

Jesus era obediente. Ele se fez obediente ao Pai até a morte na cruz (Fl 2,6-9). O voto de obediência é colocar-se inteiramente nas mãos e no coração de Deus. É renunciar radicalmente a qualquer dominação do outro. Este é o voto que constrói comunidade. É o grito profético de denúncia do poder e de todo autoritarismo.

Jesus era casto. Ele nunca se casou. Até poderia ter-se casado, mas não quis. Ele mesmo disse que têm pessoas que são capazes de viver a castidade pelo Reino (Mt 19-12). O voto de castidade é a possibilidade de viver de uma forma diferente a sexualidade. É uma expressão de desprendimento, disponibilidade e de serviço. É o voto que amplia as amizades e liberta os afetos. É o grito profético de denúncia do abuso do prazer e do sexo.

A vocação à Vida Religiosa é uma graça de Deus, para a pessoa e para o povo. Rezemos sempre pelos irmãos e irmãs; pelos freis e freiras. Rezemos pelos consagrados, para que sejam testemunho vivo do Reino de Deus entre nós.

Pe. Ildefonso Salvadego, MS.

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