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Informativo Dezembro 2005

 

Informativo entrevista...

Entrevista O casal Ruy Gonçalves de Oliveira e Maria Theresa Gonçalves de Oliveira. Paroquianos, atuantes, de longa data, são testemunhas oculares da história desta comunidade.

Informativo - Falem um pouco de vocês...

Ruy - Eu nasci em Santo Anastácio (SP), em 16.11.1934. Em setembro de 1944 viemos morar na rua Voluntários da Pátria, 2798, próximo à Capela Santa Cruz. Estudei no Colégio Santana, onde fiz minha primeira comunhão. Depois fui estudar no Colégio São Bento e depois no Liceu Coração de Jesus, onde terminei meus estudos. Aí fiz o curso Normal (hoje Magistério) no Colégio Piratininga, lá na avenida Angélica. No Piratininga eu conheci a Maria Theresa e nos casamos em 26.09.1959, na Igreja Nossa Senhora do Carmo, lá na rua Martiniano de Carvalho. Fiz Administração de Empresas, na Faculdade Paes de Barros e posteriormente fiz dois anos de Teologia, no Madre Mazzarello.

Maria Theresa - Eu sou aqui da Capital, nasci nas Perdizes, em 15.07.1931. Desde pequena eu freqüentava a Igreja de São Geraldo, no largo das Perdizes e também a Capela da PUC. Morei algum tempo no bairro da Pompéia e depois mudamo-nos para a avenida Cásper Líbero, ali no centro da cidade. Eu cantava no coral da Igreja de Santa Efigênia. Pouca gente se lembra, mas essa igreja era onde funcionava a Catedral de S.Paulo, antes de construírem a da praça da Sé. Estudei no Colégio da Sagrada Família. Eu era interna no colégio. Madre Paulina foi a fundadora desse colégio. Naquela época a Madre Paulina, hoje Santa Paulina já estava muito doente e as freiras pediam que nós, internas, fizéssemos bastante silêncio quando atravessávamos o corredor que levava à capela do colégio. E depois estudei no Colégio Santa Marcelina. Trabalhei no SENAI durante algum tempo. Recentemente, conversando com o Sr. Antonio Grande, viemos a descobrir que trabalhamos juntos lá no SENAI. Hoje sou só mãe e avó, e esposa. Temos três filhas e dois netos.

Informativo - Desde quando vocês estão na comunidade?

Ruy - Passei a freqüentar a Salette desde que me mudei para S.Paulo, portanto desde setembro de 1944. Fui Coroinha do Pe. Fidélis, eu tinha nove ou dez anos de idade.

Maria Theresa - Eu tenho menos tempo de Salette do que o Ruy. Somente em 1957, quando começamos a namorar, é que passei a freqüentar a Igreja da Salette.

Informativo - Vocês fizeram parte de que Pastorais ou Movimentos?

Ruy - Trabalhamos em muitas pastorais e movimentos. Trabalhamos no Encontro de Casais, Encontro de Jovens, no Concílio da Cristandade, no Dízimo, na Saúde, no Crisma, no Batismo, na Catequese Familiar, no CPA Conselho Pastoral Administrativo, de onde saí e agora voltei. Agora somos Ministros da Sagrada Comunhão, há muitos anos.

Maria Theresa - Sempre estive junto com o Ruy. Apenas no CPA eu não estive. Lá, antigamente, não entrava mulher. Nós fizemos parte do primeiro Curso de Noivos aqui na Paróquia da Salette. Temos gratas recordações das pessoas com as quais trabalhamos e convivemos. Só na Catequese Familiar foram vinte anos. Acredito que mais ou menos umas cento e sessenta crianças nos tiveram como Casal Piloto. Muitas já estão casadas e hoje são mães e pais. Lembro-me que do nosso primeiro grupo, em 1982, a Sumiko e o Shosei fizeram parte dele. Então, nós fomos o Casal Piloto da filha deles. Desses anos todos de Catequese Familiar, participamos de um grupo, ainda hoje, que nos reunimos periodicamente. Mais ou menos dezessete anos que isso acontece.

Informativo - Com esse engajamento todo vocês conviveram muito com os padres saletinos. Alguma lembrança para deixar registrado?

Ruy - Muitas, muitas. Se fossemos registrar tudo ficaríamos conversando até o sol raiar. O Pe. Pedro Rosseto foi quem iniciou a construção da nova igreja da Salette. Na época, meu pai Manoel Gonçalves da Silva era muito amigo dele e, juntamente com o Cel.Eng. Walfrido de Carvalho e o Sr. Alfredo Ignácio Trindade, que foi o primeiro Presidente do Conselho do CPA de nossa Paróquia. Eles trabalharam muito na construção da nossa igreja.

Maria Theresa - Nós convivemos muito com o Pe. João Casagrande, com o pe. Virgínio, Pe. Guido, Pe. Nadir, que é primo dos Padres Alfredo e Santo. Convivemos com os Padres Santo e Alfredo, que são irmãos. Com o Pe. Ático, com o Pe. Bolívar. Você sabia que os dois são primos? Convivemos com o Pe. Tercílio, Pe. Caime, com Pe. Ilídio. Pe. Ilídio era de origem portuguesa e foi ordenado sacerdote aos cinqüenta nos de idade. Hoje ele deve estar com quase oitenta anos.

Ruy - Com o Pe. Josef Graf. Fizemos parte da primeira turma da Pastoral da Saúde, que foi implantada aqui na nossa Paróquia pelo Pe. Josef. Depois ele foi para a Europa. Primeiro para a Suíça e depois foi para a Bélgica, em Bruxelas.

Maria Theresa - Também com os Padres Isidro Perin e Ângelo Perim. Com Pe. Pedro Sbalchiero, que hoje é Bispo em Vacaria (RS). Pe. Nunda, Pedro Tchingano. Com o Pe. Antonio que está lá em Cochabamba, na Bolívia.

Ruy - Lembrei-me de um fato pitoresco. Quando eram crianças, os irmãos Perin Ângelo e Isidro vinham a S.Paulo junto com a mãe, Dona Margarida, para visitar o Pe.  Pedro Rosseto, que era tio deles, e eles ficavam correndo e brincando pelo pátio da Igreja.

Informativo - Eles irão ler esta entrevista e certamente ficarão emocionados com essa lembrança.

Ruy - Vão sim. São gratas recordações que a gente traz da infância. Convivemos também com o irmão João Creff. Este homem trabalhava muito, era um verdadeiro beato. Com o irmão Erondino e com o Irmão Nicolau, que depois se ordenou sacerdote e agora com o irmão Benedito. Na verdade, convivemos com, praticamente, todos os padres que passaram por aqui. E teve também o Sr. Luiz, que foi sacristão durante muitos anos, quando aqui estavam o Pe. Fidelis e o Pe. Pedro Rossetto.

Informativo - O que representa Nossa Senhora da Salette na vida de vocês?

Maria Theresa - Nossa Senhora representa muito para nós. É sempre a primeira a quem recorremos, principalmente nos momentos mais aflitivos. Lógico que é Deus, Jesus o centro de tudo. Mas Nossa Senhora é nossa intercessora. Recentemente nossa filha esteve muito doente e os médicos não acreditavam muito na sua recuperação e os diagnósticos eram muito incertos. Nos apegamos demais a Nossa Senhora. Pedíamos primeiramente que Nossa Senhora intercedesse por nós e mostrasse o caminho aos médicos que cuidavam de nossa filha. Fomos a uma recepção e lá encontramos uma pessoa que comentou que conhecia uma outra pessoa, cuja filha tinha uma doença parecida com a da nossa filha. Passamos o dia seguinte ao telefone, tentando localizar essa pessoa. Ligamos até para o Mato Grosso. Finalmente, conseguimos o nome e o endereço do médico, aqui em S.Paulo. Graças a Deus e a Nossa Senhora, o tratamento deu resultado e nossa filha está curada.

Ruy - Sempre tivemos essa devoção por Nossa Senhora. Em 1997, juntamente com o pe. Pedro Sbalchiero, nós fizemos um giro por alguns países. Estivemos em Israel, no Egito, na Itália e fomos até a montanha de La Salette. Aquilo é um sonho. A emoção de estar lá em cima, no mesmo local onde Nossa Senhora apareceu, é muito grande. Veja, estou todo arrepiado só de falar. Depois eu fiz outra viagem internacional com o Pe. Pedro Sbalchiero. Fiz parte do grupo que entronizou a Imagem de Nossa Senhora da Salette, em Cuba. Nessa viagem fomos recebidos pelo Cardeal cubano e pelo Núncio Apostólico. Ganhei dele um presente bonito, que foi deixado pelo Papa João Paulo II, quando de sua visita a Cuba (nesse momento, o Ruy vai até o quarto e nos mostra um lindo terço, com o emblema papal).

Informativo - Para encerrar, e hoje, o que vocês fazem na comunidade?

Maria Theresa - Hoje somos Ministros da Sagrada Comunhão.

Ruy - Eu voltei para o CPA Conselho de Pastoral Administrativo a convite do Pe. Ildefonso, que me incumbiu de montar e estruturar o estacionamento. Tem sido um trabalho difícil, já que não tínhamos experiência com esse tipo de prestação de serviço. Fizemos pesquisa, levantamento de dados, cotação de preços, escolha do projeto e agora a implantação efetiva do serviço. Alguns contratempos tem surgido mas a gente vai acertando. Às vezes são problemas técnicos, que os usuários reclamam. Outras vezes são os próprios usuários que criam problemas. Alguns ofendem os funcionários sem que eles mereçam. Outras vezes não respeitam as linhas demarcatórias para deixarem seus carros. Gostaria de aproveitar o espaço e pedir uma maior compreensão, principalmente dos paroquianos e agentes de pastorais: estacionem seus carros na parte dos fundos da Igreja. Deixem o espaço fronteiriço para uso dos condôminos (mensalistas). E a todos os usuários, respeitem os funcionários, eles dão o melhor de si e estão cumprindo ordens.

Informativo - Às vezes, nós cristãos, nos esquecemos que ser bom cristão também é acatar as leis e os regulamentos. Que Nossa Senhora da Salette interceda por nós e nos faça mais compreensivos.

 

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